Artigos | Postado no dia: 6 fevereiro, 2026
SPLIT PAYMENT: SUA EMPRESA ESTÁ PRONTA PARA O “IMPOSTO EM TEMPO REAL”?
O sistema de pagamentos no Brasil está passando por uma mudança histórica. Se você vende produtos ou serviços, precisa entender o Split Payment, um mecanismo que vai mudar o dia a dia do seu caixa e o relacionamento com seus clientes.
O que é o Split Payment na prática?
O Split Payment (pagamento dissociado) é uma tecnologia de arrecadação automática de tributos que ocorre no momento da liquidação financeira de uma transação. A legislação que institui a reforma tributária no Brasil prevê a aplicação dessa modalidade de arrecadação a partir de 2027.
Imagine que hoje, ao vender um produto por R$ 1.000, você recebe o valor total e, somente no mês seguinte, paga os impostos devidos, que hoje são o ISS (serviços) ou ICMS (venda mercadorias), além dos PIS e COFINS sobre seu faturamento.
Com a reforma tributária, esses tributos serão substituídos pelo IBS e pela CBS, que incidirão tanto sobre a venda de mercadorias como sobre a prestação de serviços). E a previsão é que o pagamento desses novos tributos aconteça pelo Split Payment.
No Split Payment, a divisão será instantânea. Quando o seu cliente passar o cartão, pagar o Pix ou o boleto:
- A parte do governo (IBS/CBS) vai direto para os cofres públicos.
- A parte da sua empresa (valor líquido) cai na sua conta.
Por que preciso saber sobre isso?
No regime do Split Payment a sua dinâmica financeira e negocial vai mudar.
- O fim do “fôlego” no caixa: Aquele dinheiro do imposto que ficava parado na sua conta por alguns dias ou semanas deixará de passar por você. Isso exige um planejamento financeiro novo, pois o seu faturamento disponível para pagar fornecedores e salários será menor logo na entrada.
- Seu cliente vai exigir o Split: No novo sistema, quem compra de você só receberá créditodos impostos se o pagamento for feito pelo Split. Se o seu sistema falhar ou não estiver integrado, seu cliente perde dinheiro. Em pouco tempo, ninguém vai querer comprar de empresas que não ofereçam essa segurança.
- Tecnologia é a nova regra: A contabilidade agora acontece no checkout. Se o seu sistema de vendas não estiver conversando em tempo real com o banco, você terá problemas. Erros no cadastro de produtos podem fazer com que o banco retenha mais imposto do que o necessário, tirando dinheiro injustamente do seu bolso.Mesmo que seja possível recuperar depois, isso pode demorar e exigir uma burocracia.
Como se preparar a partir de agora?
- Organize sua casa: Revise agora o cadastro de todos os seus produtos e serviços. Informações erradas significam retenções erradas.
- Revise com sua tecnologia: Verifique se o seu software de gestão e suas maquininhas de cartão já estão se preparando para essa separação automática.
- Cuide do seu capital de giro: Comece a simular seu caixa considerando apenas o valor líquido das vendas. Não conte com o dinheiro dos impostos para o giro do dia a dia.
- Cuidado na compra de insumos: Com a reforma tributária o IBS e a CBS que você pagar na aquisição de insumos poderá ser compensado com o IBS e CBS da sua atividade. Por isso, para garantir otimização desses créditos você precisa saber de quem comprar para garantir a viabilidade de utilização desses créditos.
Como podemos apoiar sua empresa?
Nosso escritório está focado em ajudar sua empresa a atravessar essa transição com segurança. Atuamos na revisão estratégica de seus processos e na segurança das suas transações, garantindo que você não perca dinheiro nem clientes por falta de adaptação.
O imposto automático já é realidade. O sucesso da sua empresa dependerá de quão rápido você se adaptar a esse novo fluxo.
Wellington Norberto, é Advogado, Contador, pós-graduado em Gestão Financeira, Auditoria e Controladoria, mestre em Administração com ênfase em Organizações, Inovação, Sustentabilidade, Gestão estratégica, doutorando em Gestão Ambiental com ênfase em Gestão Ambiental Empresarial, Direito Ambiental, Contabilidade Ambiental e atua no setor tributário do escritório Andreazza, Otsuka e Botelho Advogados.